quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

About food (again) and books

Sempre que estou de mal com o mundo por alguma razão (e que tenho disponibilidade de tempo) vou ler um livro. Não acontece com tanta frequência, então leio muito em ocasiões que estou de bem com o mundo também, é claro. Mas quando é o primeiro caso, chega um momento que nem me lembro mais com o que estava revoltada ou por que razão. Hoje não estava com nenhum sentimento ruim, mas de qualquer forma tenho a rotina de gastar a meia hora final do meu almoço lendo. E hoje foi um livro repleto de crônicas e histórias fofas da dona do blog Panelinha, a Rita Lobo. Juro que queria largar todos os compromissos do dia e passar a tarde na companhia dele. E uma xícara de café de vez em quando, porque ninguém é de ferro.
Quando eu estava na escola fazia isso com frequência. Deitava no sofá depois do almoço para ler um minutinho, antes que eu percebesse já eram seis horas da tarde e a louça do almoço ainda esperava por mim na pia. Três livros eu realmente não consegui parar de ler até terminá-los, não fiz nada durante a tarde além de lê-los: Cai o Pano, da Aghata Christie, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban e o Hobbit. Eles me hipnotizaram de tal forma que só foi possível largá-los quando os terminei.
Bom, voltando ao livro do início do post, ele se chama A conversa chegou na cozinha. Rita Lobo conta várias histórias de sua vida e as relaciona com diversas receitas, espalhadas ao longo do livro. Conta de sua família, de seus filhos, amigos, viagens e o amadurecimento que a vida proporciona. Compara ingredientes com momentos e faz associações muito bacanas. Enfim, é uma delicinha de livro, literalmente. Para quem gosta de comida da mesma forma emocional que eu é altamente recomendável.
Finalizo com a foto da bolsa que terminei na aula de patch sábado. Tem um errinho aqui ou ali, mas nada como ver o resultado final de algo feito a mão (e com uma mãozinha da máquina de costura, é claro). Back soon!



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

About food and care

Hoje na hora do almoço escutei uma conversa bem engraçada. Um rapaz contava sobre o irmão dele, que casou com uma guria que não sabia cozinhar. E estava constantemente faminto. A moça que conversava com ele fez a seguinte observação "bah, mas como que a mãe da guria não ensinou ela a cozinhar?". Um comentário bem comum para uma pessoa criada na cultura dos gringos aqui da serra.


Muito provavelmente se eu tivesse escutado essa conversa na minha adolescência teria achado um tanto quanto machista. Por que a guria tem que saber cozinhar? Esse creio que seria meu pensamento. É engraçado como as pessoas mudam. Hoje eu acabo concordando com ela. Por que a mãe da guria não a ensinou a cozinhar? Não que eu pense que seja uma obrigação da esposa alimentar o marido. Mas acredito que todos esses momentos sejam demonstrações de carinho. Explico: fico super feliz observando minha vó cozinhar, com toda a sua sabedoria antiga. Seus truques, seus trejeitos, acho lindo. Sinto me mais do que alimentada levando a marmita que minha mãe faz na hora do almoço, sinto me plena (sei, comentário Polyana, mas enfim, o que posso fazer). Tento observar cada jeitinho delas, cada sabor que elas acrescentam, cada toque pessoal. E preparar alguma comidinha gostosa para alguém me enche de prazer. Tento sempre limpar minha mente para passar somente boas vibrações para o alimento.


Li uma crônica há um tempo atrás dizendo isso. A pessoa (não lembro quem era a escritora) dizia que às vezes fazer comida para os familiares é visto como um sacrifício, quando na verdade nutrir devia ser considerado um ato de carinho. E também a transmissão deste conhecimento é um momento especial entre mãe e filha, ou qualquer que seja a relação entre professor e aluno.


Talvez por isso que nosso brócolis ficou tão gostoso hoje na hora do almoço. Porque veio da nossa hortinha, cultivada com muito cuidado e atenção.




Mudando de assunto, esses dois cartõezinhos são minha produção do final de semana. Muito bom gastar horas pensando em uma pessoa querida e tentar traduzir sua personalidade no papel.




Por fim, desejo um happy valentine's day to all! Qualquer data que nos lembre de dizer que as pessoas queridas são importantes para nós merece ser mencionada. E para encerrar postei uma das melhores animações para descrever o amor. That's all folks.  



domingo, 12 de fevereiro de 2012

Handmade

Shakespeare disse: "O melhor banquete é feito de poucos comes e bebes e uma grande e calorosa acolhida." Achei uma ótima frase. Penso que essa frase traduz as refeições com pessoas especiais. Poucos momentos são tão bons quanto aqueles em que divido a mesa com quem amo.

Esse final de semana minha vó faz 82 anos. Queria muito dar um presente feito por mim, mas como não me ocorreu nada que ela realmente precisasse, compartilhamos um café da manhã bem gostoso. No final das contas, a convivência é o melhor presente para alma.

Para o café da manhã, fiz uma receita de pão que vi na televisão. A receita é de uma confeitaria no Rio de Janeiro e é muito gostosa, o resultado final foi aprovado.


Ingredientes: 50 gramas (1/4 xícara de chá) de açúcar, 400 gramas (02 e 1/2 xícara de chá) de farinha, 01 pitada de sal, 30 gramas (02 tabletes) de fermento fresco, 01 colher de sopa de manteiga sem sal, 180 ml (3/4 xícara) de leite, 01 ovo, 01 gema misturada com 01 colher de chá de café pronto.

Numa tigela coloque o açúcar, a farinha peneirada, o sal e misture. Reserve. Em outro recipiente coloque o fermento, a manteiga, o ovo, o leite e misture bem. Adicione a mistura de farinha e sove bem até ficar uma massa homogênea (uma delícia sovar pão. Libere a mente de todos os pensamentos ruins e pense somente em coisas boas, para passar boas vibrações ao pão). Polvilhe farinha nas mãos para desgrudar a massa dos dedos e a deixe descansar por 20 minutos.
Modele a massa dando formato de pão, polvilhe com farinha e transfira para uma fôrma de bolo inglês forrada com papel manteiga, deixando 10 cm nas laterais para o lado de fora. Pincele com a gema e deixei crescer até dobrar de tamanho.
Leve ao forno pré aquecido a 180ºC por 30 minutos (eu deixei um pouco menos). Retire e siva.



Nada melhor do que pão quente. Aliás, adoro pão. Meu vô comia pão com literalmente qualquer combinação, era tri engraçado. E nada melhor do que reunir as pessoas que se amam na mesa. Comida para mim sempre teve esse significado. Até mesmo com meus amigos de infância, passamos a vida inteira nos reunindo em torno de algum programa gastronômico. O que serviu para tornar ainda mais forte meu elo entre sentimentos e comida.

E eu não consigo explicar o quanto é bom fazer algo que se gosta, por mais trabalhoso que seja, e ver o resultado final. Bah, tenho um prazer imenso em fazer as coisas que poderiam ser compradas prontas, simplesmente porque é muito bom olhar para algo que tu fizeste. Parece que as coisas artesanais têm mais significado, têm um pouquinho de quem as fez. É que nem com meu pãozinho, queria transmitir para minha vovó o carinho que tenho por ela de alguma forma. E nesse aniversário dela foi através dele.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Patchwork de assuntos

Esse é o amanhecer de hoje. Enquanto eu ainda consigo vê-lo, porque logo a paisagem será tomada por prédios imensos. Lembro logo que nos mudamos para esse prédio, fomos os primeiros a morar nele. As coberturas ainda não estavam prontas, então subíamos para ver a paisagem delas. Era super bonito. Agora já não sei o que é possível enxergar.


Conheço uma pessoa que doa sangue uma vez a cada três meses. Paralelo a isso, ontem no noticiário passou uma notícia sobre a briga de torcedores do Palmeiras com o Corinthians. É surreal como o mesmo ser humano que derrama não sei quantos mil litros de petróleo no oceano é o mesmo que passa dias cuidando da limpeza dos pinguins, para que eles possam voltar ao seu habitat.
Tantas ironias, tantas maldades e tanto altruísmo, é difícil definir o que se sobressai. O que é ruim certamente é mais digno de manchetes na televisão, chama mais  atenção do telespectador. Programas de qualidade normalmente passam de manhã extremamente cedo ou tarde da noite. Em horário nobre, as tragédias e as baixarias imperam. Generalizando, é claro, nem tudo é assim.
Outro dia me pediram se eu era diabética, pelas coisas que como. Achei até graça. Passo o dia inteiro comendo, só que para não virar um balãozinho meus lanches são nozes, biscoitos integrais orgânicos, frutas, e por aí vai. Veja bem, é um equilíbrio. Eu gosto dessas comidas, elas não só me fazem bem como me dão prazer. A maior parte dessas coisas não são têm um impacto tão negativo também para o ambiente. Por exemplo, no preparo de um hamburger é utilizado um rio de água. Não que eu não o coma, mas procuro não comê-lo com frequência. O mesmo acontece com carne vermelha. A produção de carne vermelha em demasia é um dos fatores que contribuem para o aumento do buraco na camada de ozônio. E o consumo excessivo traz uma série de problemas para a saúde. É um equilíbrio. E diversos programas na TV aberta trazem informações a todos sobre isso e muito mais. Mas é claro que os reality shows têm um apelo bem maior ao grande público.
Vi no Bem Estar ano passado sobre uma escola que começou a adotar hábitos saudáveis para seus professores e alunos. O resultado foi magnífico, as crianças passam as informações adiante, elas ensinam aos pais, aos avós, é um efeito multiplicador incrível. Ou seja, a mudança é relativamente fácil e possível. E a consciência de como se alimentar melhor traz uma série de benefícios menos óbvios, como as pessoas cozinharem em casa, melhorarem a economia familiar, pensarem nos ingredientes que estão adquirindo, sua origem e qualidade. É toda uma rede de benefícios.
Enfim... Meu texto acabou migrando por vários assuntos hoje. Quase como um patchwork de tecidos. Por falar nisso, sábado o resultado da minha aulinha foi esse, mil quadradinhos e triângulos fofos combinados. Quem quiser fazer aulinhas como as que estou fazendo, é em uma lojinha fofíssima na Marcílio Dias, chama-se Armazém Art & Tecidos. É delicioso gastar um manhã de sábado preocupando-se somente com que tecidos combinar!   

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

E que venha a chuva!

Hoje o dia começa com chuva. Bem feliz e bem vinda a chuva.
Ontem terminei o quadrinho do bastidor. Os acabamentos ficaram por conta da minha mãe. Adorei a ideia que ela teve da fita para pendurar o quadrinho. Abaixo uma fotinho tirada por ela do resultado final.


Mudando de assunto, frequentemente penso o quanto minha vida é fácil. Graças a Deus por isso, é claro, estou longe de reclamar a respeito. Mas ontem observei um vendedor de algodão doce voltando do parque embaixo de chuva e fiquei pensando na vida dele. Embaixo de sol, de chuva, nas dificuldades que eu nem faço ideia que ele enfrente. Não sei onde ele mora, ou com quem, ou em que condições.

Vejo com frequência também um rapaz que creio que more perto da minha vó. Ele tem um problema de locomoção, anda com bastante dificuldade. Vejo o rapaz indo e voltando do trabalho, sempre a pé. Não consigo imaginar quantos momentos difíceis ele já passou, as barbaridades que ele já ouviu. Não imagino o quanto ele já possa ter sofrido na vida.

É claro que todos sofrem, em um momento ou em outro. Que todos pensam que não aguentam mais determinada situação. Mas para algumas pessoas a vida é tão difícil. Escuto histórias de quem trabalha não sei quantas horas, de quem perde um absurdo de tempo para chegar em casa, de quem ainda cuida de um familiar doente, de quem se vira em trinta para pagar as contas no final do mês. Além de inúmeras possibilidades de problemas, de doenças, de situações. Penso que eu já não consigo fazer tudo o que gostaria, mesmo praticamente não parando quieta das 06h30 às 22h00. E as pessoas precisam dar conta, até porque muitas vezes outros dependem delas.

Espero de todo coração que essas pessoas encontrem algo bom no final das contas. Que haja uma recompensa para tamanho esforço. Que apareça a alegria em suas vidas. Não somente um final feliz, mas diversas felicidades no meio do caminho. E um pouco de facilidade em meio a tantos percalços.

PS: A Festa da Uva deste ano está um tanto quanto apagada, o que é bem triste, uma vez que a temática dela tem um potencial muito bacana. Porém hoje vi no Jornal do Almoço as olimpíadas coloniais da Linha 40, bah, sensacional. Uma das melhores provas é o arremesso do queijo de fôrma. Um dos senhores mandou totalmente para o lado oposto do que deveria ter lançado, foi hilário. E a repórter pisando nas uvas no final encerrou a matéria maravilhosamente. Acho que essa é a essência da festa da uva.  

That's all folks.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Sobre uvas, abóboras, figos e a vida

Que perfume que as uvas exalam essa época. Essas uvas bem comuns, dos parrerais comuns dos gringos aqui da serra, elas são as melhores. O cheiro delas é muito bom. É bacana como algo leva um ano inteiro para ficar pronto. Um ano de cuidados e expectativa até finalmente ela se formar e ficar docinha e perfumada como está agora. É parecido com os figos, mas acho que eles precisam de um pouco menos de cuidado. Mas ambos precisam de épocas de sol, épocas de chuva, frio e calor para produzirem bons frutos.


Acho que é parecido com as pessoas. Vi o último episódio de uma série que adoro agora há pouco, Brothers and Sisters. E uma das personagens citou um escritor famoso com a seguinte frase: Torne-se a pessoa que você poderia ter sido. Não tenho certeza se são exatamente essas palavras, mas era esse raciocínio.

Acredito que às vezes seja necessário um pouco de amadurecimento, de cuidados, de tombos e machucados para a pessoa chegar onde gostaria. Ou até mesmo para descobrir o que realmente gostaria, para aprender a dar valor, para se tornar quem gostaria de ser. Quantas vezes pensamos que faríamos diferente em situações do passado, que tomaríamos outras decisões. Mas na verdade tudo o que aconteceu comigo foi o que me fez pensar da forma como penso hoje. Minhas cicatrizes formam parte da minha personalidade, assim como minhas risadas, minhas memórias felizes, minhas lágrimas. Tudo contribuiu para que eu soubesse hoje quem eu sou e quem quero e me tornar. Não há arrependimentos nem mágoas, só um enorme sentimento de carinho por aquilo e aqueles que estão em minhas memórias e minha vida e a satisfação por tudo o que vivi.


Por falar em cuidado e carinho, já falei o quanto acho bacana a hortinha dos meus vizinhos, que vejo pelas janelas de casa. Mas a plantação de abóboras deles está tão bonita que merece mais uma foto. São essas folhas bem grandes que aparecem nos cantos de cima e de baixo. Não os conheço, mas penso que pessoas que cuidam tão bem da horta devem ser boas também em relação aos demais aspectos da vida.

That's all folks.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Transformação

As pessoas não gastam muito tempo pensando em lixo. Na verdade é quase um reflexo recolhê-lo e descartá-lo. O que é feito depois pouco importa, desde que não esteja em nosso raio de visão.
Um dos projetos mais bacanas que foi feito em Caxias é a coleta seletiva no modelo que é hoje. Enormes conteiners ficam nas ruas, separados em seletivo e orgânico, e a população já descarta separadamente (ou pelo menos deveria). Os caminhões com bracinhos chegam e fazem a coleta. Os catadores de material reciclável, agora cadastrados pela prefeitura, também tem seu trabalho um pouco facilitado para seleção do que é de seu interesse.
Vi que São Paulo aboliu as sacolinhas dos grandes super mercados. Acho super bacana essas novas tecnologias que permitem o desenvolvimento de sacolas biodegradáveis. Em 03 meses elas já se decompõem, sensacional. Porém acho que São Paulo antes devia investir numa coleta seletiva inteligente. Acredito que esta é uma ação mais urgente do que a proibição das sacolas plásticas. Quando morei lá, no meu bairro não havia coleta seletiva. Além do que as sacolas ficam no chão esperando pelo caminhão, então se chove nesse meio tempo o destino delas é entupir os bueiros. Há alguns mercados e prédios que coletam o lixo separadamente, mas ainda assim são ações isoladas e insuficientes. Claro que devido às dimensões da cidade, é um trabalho extremamente difícil e cujos efeitos seriam sentidos somente no futuro, mas seria fundamental um projeto de conscientização da população sobre a importância de separar o lixo, de dar um destino correto a ele. Também é preciso acesso fácil a descarte de materiais como eletrônicos, eletrodomésticos, medicamentos, entre outros que não podem ter o mesmo destino do lixo doméstico.

Um dos destinos que pode ser dado ao lixo orgânico (cascas de frutas, vegetais e legumes e outras partes normalmente não utilizadas) é a compostagem. Ainda não cheguei a fazer uma composteira, mas é um dos projetos que tenho para o futuro. De qualquer forma, na minha vó as cascas frequentemente vão para horta, para adubarem um pouquinho o solo. Abaixo uma fotinho da horta como está nesse momento. Os brócolis começam a aparecer, coisa mais amada. E folhas dos repolhinhos também estão bem vistosas e felizes! 




Finalizo hoje o post com uma foto de algo muito engraçado. Minha mãe me deu uma toalha do Pooh na Disney, tri linda, com o Pooh olhando um tigre super selvagem e pedindo se é o Tigrão. Esses dias meu pai olhou a etiqueta, para ver a origem da toalha, e não é que é Made in Brazil! Tri engraçado. Um sinal para valorizarmos o que é nosso, as tantas coisas boas que são produzidas aqui. Hoje quase tudo é Made in China, acabamos perdendo o que é nosso por não reconhecer o quanto é bacana o que é local, o que é original. That’s all folks.