segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Preservar

Fiz um paralelo meio estapafúrdio em minha mente hoje no final da tarde, caminhando de volta para casa. Há uma revista de distribuição gratuita no aeroporto de Congonhas que sempre traz matérias excelentes, a 29 horas. Nessa edição há uma particularmente boa, sobre um fotógrafo (o nome é Hélio, esqueci o sobrenome) que fez uma série registros de lugares e culturas ao redor do mundo que correm o risco de extinção em função do consumismo desenfreado do homem (que gera poluição, sujeira aos montes, desmatamento, deslocamento de tribos inteiras e desrespeito à sua forma de vida, entre outros danos). Ele criou essa exposição por duas razões: a primeira é que o homem crie consciência e consiga reverter a situação. A segunda, e não muito positiva, é que se realmente for instinto, haja um registro de que um dia existiu. E que as pessoas devem tomar conta de todo resto para que nada mais desapareça.

Hoje voltando para casa, ouvi um barulho familiar da infância, um metal batendo na madeira. Lembrei do velhinho da casquinha, que vendia as casquinhas preparadas pela sua mulher na saída das escolas, dia após dia. Mas ele morreu ano passado, então estarei eu tendo um deja vu? Quando chego mais perto percebo que é o neto dele que preserva sua memória e proporciona à nova geração de estudantes uma lembrança querida para ser cultivada no futuro. Afinal, quem não gosta de lembrar de histórias felizes da época de escola?

A relação bizarra que fiz em minha mente entre as duas situações descritas acima é sobre a importância da preservação. Do que quer que seja: ambiente, memórias, culturas, momentos singelos de infância. Todos eles fazem parte da história das pessoas e do mundo, em todos os âmbitos possíveis.

Encerro o post com a imagem de uma bolsinha que fiz para o aníver de minha mais antiga amiga. Minha primeira bolsa confeccionada sem supervisão! That's all folks.


domingo, 26 de fevereiro de 2012

Madalena e Olivia


Visita relâmpago a São Paulo, super rapidinha, mas muito bacana e cheia de momentos queridos! Adorei adorei!

Passamos na lojinha Lá da venda, na queridíssima Vila Madalena, que está ainda mais fofa do que quando fui pela primeira vez. Adivinhem o que encontrei??? Bonequinhas para vestir!!! Vocês lembram há uns 20 anos atrás que existiam bonequinhas de papel com várias opções de roupinhas para trocar? A ideia é a mesma, mas essa é um imã de geladeira! Simplesmente amei! E é a cara da minha mãe!

Tem melhor preocupação do que escolher que vestidinho a Olivia utilizará hoje? Demais!  

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Cappuccino

Um dos primeiros ensinamentos que meu pai me passou é: se tu amas alguém, diga. Muitas vezes e com frequência. Principalmente para os velhinhos. Pela ordem de Deus, eles são levados primeiro. Nem sempre é assim, no entanto, então deixe claro para todos que tu gostas o quanto eles são importantes.

A mãe de uma amiga da minha mãe (eu sei, confuso, leia devagar, principalmente após um dia trabalhoso) sempre fez festinhas no aniversário da filha. Quanto digo “fez” é porque ela realmente fazia praticamente tudo que era servido. Aliás faz até hoje. Diversas vezes ela estava doente, ainda assim nunca deixou de preparar as comidinhas gostosas que eram servidas. Ano após ano. Quer maior demonstração de carinho que esta?

E ela é responsável pelos meus primeiros cappuccinos. Ela sempre fazia essa misturinha artesanal deliciosa para cappuccino. E por alguma razão que a razão desconhece, a memória que eu tinha da bebidinha se perdeu no tempo e no espaço. Até que um dia, conversando com minha amiga sobre cappuccinos, a lembrança do gostinho delicioso voltou. E por coincidência era aniversário da amiga da minha mãe! Um segno de Dio que eu devia pedir a receita e tentar o cappuccino. Dito e feito!



 A receita é bem simples: uma lata de leite em pó, 04 colheres de sopa de café Iguaçu, 01 colher de sopa de Nescau (coloquei mais um chorinho), 01 e 1/2 xícara de açúcar (usei um pouquinho menos de açúcar demerara), canela a gosto e 01 colher de sobremesa de bicarbonato de sódio. Misture tudo, sinta o cheirinho gostoso e está pronto! Ainda não tomei a bebida porque era noite quando fiz (e a noite não se pode abusar de cafeína!). Mas agora é só provar! Tem coisa melhor do que essas receitas que remetem totalmente a quem costuma prepará-las? Adoro receitas cheias de personalidade. That’s all folks. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Doce feriado

Sempre que voltava a São Paulo levava uns docinhos que minha prima costumava fazer. Era uma delícia e fazia o maior sucesso. Agora minha prima anda meio sem tempo, então minha mãe pediu como os docinhos são feitos para que pudéssemos fazer alguns presentinhos. Hoje minha mãe se aventurou na cozinha a prepará-los. O único problema foi o calor, que torna mais difícil para manusear chocolate, mas de qualquer forma o resultado ficou ótimo!

E o bule azul da foto é a Madame Samovar. Achei muito parecida com a senhora bule do desenho A Bela e a Fera, então copiei o nome. Não é a coisa mais amada?






Mudando um pouco de assunto, ontem tive a sorte de encontrar queridos amigos, no intervalo de almoço e no final do dia. O que me faz pensar em como a medida de tempo é relativa. O tempo que passamos juntos passou tão rápido... Como três horas podem parecer segundos quando estamos na companhia de pessoas importantes?

Leio com frequência matérias sobre como as tecnologias têm efeito negativo na qualidade dos relacionamentos no mundo “real”. Aqueles em que as pessoas se encontram de verdade, não atrás de uma tela. Aqueles que as pessoas tomam café em um lugar fofo e ficam horas e horas conversando. Aqueles que nem se percebe que já anoiteceu.

Entendo a importância da tecnologia quando há distância geográfica, nesse sentido a evolução da comunicação torna imensamente mais fácil e barato o contato com quem está longe. Mas nas demais situações vai além da minha capacidade de compreensão. São tão preciosos os momentos passados juntos as pessoas que realmente importam. Faz tanta diferença, pelo menos para meu estado de espírito, um final de tarde como que tive ontem. Dá leveza a alma. Dá sentido a tudo.
That’s all folks.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Uva!

Andando até a praça na sexta algo me intriga: um aroma de uva toma conta do ar. Olho para o lado direito, para o lado esquerdo, para a frente. Ninguém comendo uva. Ninguém em posse do Pioneiro de quinta feira (cuja capa foi aromatizada com uva). Ninguém tomando suco. Será que o espírito da Festa da Uva tomou me faz imaginar coisas? O mistério permanece.

Chego na praça e dou de cara com o chafariz jorrando água roxa. Of course, vinho no chafariz! (Claro que eu sei que não é vinho de verdade, mas faz de conta que sim.) O cheiro não é bem bem de uva, na verdade me lembra aqueles batonzinhos antigos para crianças, que vinham numa embalagem plástica em formato de uva. De qualquer forma, uma delícia chegar na praça e divagar sobre essas questões. Quisera eu que a cidade sempre cheirasse a uva.

Uma delícia também foi assistir o desfile desse ano (na TV, disputar um espaço na Sinimbu não me inspira tanto assim). Apesar da decoração bem fraquinha na cidade, alegro-me em dizer que o desfile desse ano está surpreendentemente lindo! Representantes de vários bairros e distritos de Caxias marcaram sua presença, bem como o Coral Municipal, a Orquestra e a Companhia de Dança. Difícil dizer o que foi mais bonito. E sem nenhum momento relembrando (como foi feito exaustivamente no passado) a tristeza do imigrante. Não, somente a celebração, a colheita, a cocanha e o trabalho (até ele de forma artística e positiva). Um desfile com envolvimento da comunidade, super bonito e diferente, mas com essência. Adorei!


Por falar em questões culturais, tornei-me bairrista. Não sei quando aconteceu, mas de repente sentia uma imensa alegria em entrar no Zaffari, enquanto morava em São Paulo. Encontrar todas as marcas da minha terra (leite da Piá, produtos da Mumu, Santa clara...) enchiam meu coração de felicidade. Sentir cheirinho de alecrim, sálvia, salsa então... Quase me emocionava. Dizem que a maior parte dos CTG's (centro de tradições gauchescas) localizados fora do Rio Grande do Sul foram criados por pessoas que, quando moravam no estado, não seguiam esta cultura tradicionalista. Porém ao morarem em outro lugar acabaram sentido falta. Suponho que foi o que aconteceu comigo.

Hoje tive um almoço típico daqui, imensamente feliz. Um risoto de frango, feito com o arroz cozido em um molho de tomate e frango. Batatas cozidas com casca na água e depois fritas descascadas com sálvia. Queijo no forno. Alface e tomate temperados com vinagre cultural. Por fim, sagu. Troco qualquer banquete luxuoso por esta combinação. E, com fotos do meu almoço delicioso, me despeço.



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

About food (again) and books

Sempre que estou de mal com o mundo por alguma razão (e que tenho disponibilidade de tempo) vou ler um livro. Não acontece com tanta frequência, então leio muito em ocasiões que estou de bem com o mundo também, é claro. Mas quando é o primeiro caso, chega um momento que nem me lembro mais com o que estava revoltada ou por que razão. Hoje não estava com nenhum sentimento ruim, mas de qualquer forma tenho a rotina de gastar a meia hora final do meu almoço lendo. E hoje foi um livro repleto de crônicas e histórias fofas da dona do blog Panelinha, a Rita Lobo. Juro que queria largar todos os compromissos do dia e passar a tarde na companhia dele. E uma xícara de café de vez em quando, porque ninguém é de ferro.
Quando eu estava na escola fazia isso com frequência. Deitava no sofá depois do almoço para ler um minutinho, antes que eu percebesse já eram seis horas da tarde e a louça do almoço ainda esperava por mim na pia. Três livros eu realmente não consegui parar de ler até terminá-los, não fiz nada durante a tarde além de lê-los: Cai o Pano, da Aghata Christie, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban e o Hobbit. Eles me hipnotizaram de tal forma que só foi possível largá-los quando os terminei.
Bom, voltando ao livro do início do post, ele se chama A conversa chegou na cozinha. Rita Lobo conta várias histórias de sua vida e as relaciona com diversas receitas, espalhadas ao longo do livro. Conta de sua família, de seus filhos, amigos, viagens e o amadurecimento que a vida proporciona. Compara ingredientes com momentos e faz associações muito bacanas. Enfim, é uma delicinha de livro, literalmente. Para quem gosta de comida da mesma forma emocional que eu é altamente recomendável.
Finalizo com a foto da bolsa que terminei na aula de patch sábado. Tem um errinho aqui ou ali, mas nada como ver o resultado final de algo feito a mão (e com uma mãozinha da máquina de costura, é claro). Back soon!



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

About food and care

Hoje na hora do almoço escutei uma conversa bem engraçada. Um rapaz contava sobre o irmão dele, que casou com uma guria que não sabia cozinhar. E estava constantemente faminto. A moça que conversava com ele fez a seguinte observação "bah, mas como que a mãe da guria não ensinou ela a cozinhar?". Um comentário bem comum para uma pessoa criada na cultura dos gringos aqui da serra.


Muito provavelmente se eu tivesse escutado essa conversa na minha adolescência teria achado um tanto quanto machista. Por que a guria tem que saber cozinhar? Esse creio que seria meu pensamento. É engraçado como as pessoas mudam. Hoje eu acabo concordando com ela. Por que a mãe da guria não a ensinou a cozinhar? Não que eu pense que seja uma obrigação da esposa alimentar o marido. Mas acredito que todos esses momentos sejam demonstrações de carinho. Explico: fico super feliz observando minha vó cozinhar, com toda a sua sabedoria antiga. Seus truques, seus trejeitos, acho lindo. Sinto me mais do que alimentada levando a marmita que minha mãe faz na hora do almoço, sinto me plena (sei, comentário Polyana, mas enfim, o que posso fazer). Tento observar cada jeitinho delas, cada sabor que elas acrescentam, cada toque pessoal. E preparar alguma comidinha gostosa para alguém me enche de prazer. Tento sempre limpar minha mente para passar somente boas vibrações para o alimento.


Li uma crônica há um tempo atrás dizendo isso. A pessoa (não lembro quem era a escritora) dizia que às vezes fazer comida para os familiares é visto como um sacrifício, quando na verdade nutrir devia ser considerado um ato de carinho. E também a transmissão deste conhecimento é um momento especial entre mãe e filha, ou qualquer que seja a relação entre professor e aluno.


Talvez por isso que nosso brócolis ficou tão gostoso hoje na hora do almoço. Porque veio da nossa hortinha, cultivada com muito cuidado e atenção.




Mudando de assunto, esses dois cartõezinhos são minha produção do final de semana. Muito bom gastar horas pensando em uma pessoa querida e tentar traduzir sua personalidade no papel.




Por fim, desejo um happy valentine's day to all! Qualquer data que nos lembre de dizer que as pessoas queridas são importantes para nós merece ser mencionada. E para encerrar postei uma das melhores animações para descrever o amor. That's all folks.